O nível de contato entre as várias partes do globo pressupõe maior integração e intimidade entre os povos. Isto se dá por meio dos fluxos da globalização, que são os movimentos permanentes de pessoas, mercadorias, informações e outras coisas pelo mundo todo. Um caso como o da Gripe A (ou Gripe Suína) é passivo de atravessar de epidemia para pandemia em função do fluxo de pessoas que transitam pelo México e outros lugares onde o vírus está presente. A Gripe A, cujo antiviral já existe, mas está patenteado com exclusividade pelos laboratórios da Roche e Glaxo (empresas entre as 4 maiores farmacêuticas do mundo), foi praticamente encubada nos criatórios mexicanos de suínos. Por lá está a Smithfield Foods, que é a maior do mundo no ramo e figura a anos nas denúncias de contaminação e agressão ao meio ambiente e a saúde das populações próximas aos criatórios. Se a criação dos porcos movimenta um mercado de milhões, o que dirá do o controle dos antivirais e todo um processo em curso de redirecionamento de mercado consumidor para outros parques produtivos e produtos concorrentes. Esse aspecto econômico põe a possível pandemia de Gripe Suína em patamar diferente de outras que lhe antecederam. Ela pode vir a matar bem menos, mas certamente causará um frenesi no mercado mundial de cima a baixo.
Ainda se apresenta como agravante o fato de a Gripe A, diferentemente de Gripe Espanhola (1918), ou Gripe Asiática (1957) e a Gripe de Hong Kong (1968), se apresenta originária num ambiente absolutamente possível para a recombinação viral, inclusive com a Gripe Aviária. Este, tanto quanto qualquer outro, é o grande problema científico de pandemias de gripe em tempos atuais.
A Organização Mundial de Saúde - OMS tem uma escala para indicar o grau de contaminação e classificar pandemias que varia de 1 a 6, estando a gripe suína situada entre 3 e 4, não sendo ainda pandemia, mas indicando a forte possibilidade de seu desenvolvimento.
Posto desta forma fica claro o quanto as pandemias em tempos de globalização se singularizam numa tendência de menos matar e mais confundir. Ilustra bem isso a situação de alarme instalada no Brasil, onde a Gripe A matou somente 4 pessoas até o momento e pouco mais de 150 casos são monitorados, enquanto isso a gripe espanhola matou no começo do século passado no Brasil 300 mil pessoas. Mas em função do anúncio do risco emergente o governo federal editou medida provisória liberando mais de R$ 140 milhões para combater a pandemia.
As pandemias são raras. Devem ser combatidas de forma preventiva. A Organização Mundial do Comercio e a Organização Mundial de Saúde devem ser também responsabilizadas por não se pronunciarem em tempo hábil sobre os riscos de doenças existentes em função de ambientes super explorados na criação de animais como o que se encontra no México, uma vez que os interesses do mercado não devem se sobrepor ao bem estar da humanidade.