Pesquisar neste blog

Carregando...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Depois da Tempestade...

Depois da tempestade vem a bonança? Somente podem responder a tal questão aqueles que sobrevivem a tempestade em condições de saborear o que vem depois. Essa ideia poderia ser aplicada na situação recente do Egito. A poucos dias tudo era chamas, grito, multidões e violência, agora, na última segunda-feira (14 de fevereiro de 2011), representando uma nova governança, um dos generais da junta militar que assumiu o poder depois da renúncia de Mubarak, pediu que os manifestantes do pós-queda de Mubarak – trabalhadores grevistas que lutavam também por melhores condições de trabalho – suspendessem suas mobilizações e os últimos manifestantes (que se mobilizam desde o mês de janeiro com a bandeira do 'Fora Mubarak' – persistentes e vigilantes para garantir a consecução de sua conquista!) deixassem a Praça de Tahrir.
Que tempestade absurda era essa que, tão veloz e instantânea, foi de um homem atirando fogo ao próprio corpo, chorando a dor das dores, até gigantescas multidões marchando, cantando e dançando nas principais ruas do país, festejando a vitória das vitórias? O que foi mesmo que aconteceu no Egito? Será que o grito cortante e violento das ruas em levante popular será agora substituído pelo silencio do sono/paz da calmaria?
O que de fato levou os egípcios às ruas foi o que acontece numa civilização que tem certo grau de instrução, que exposta por longo tempo a extremadas condições de sufocamento econômico e social. Era um ambiente de exclusão, fruto de uma política econômica totalmente determinada pelos ditames do mercado que, por sua vez está derrotado por uma crise intrínseca (sistêmica) da qual nenhum país pôde escapar e para os mais subservientes é implacavelmente destrutiva. Ao lado disso, um ditador, apoiado por grandes potências do exterior, completava trinta anos com uma receita de governo que não mais dava solução para as grandes necessidades nacionais. No pano de fundo estava a revolta recente na Tunísia, que, em semelhante situação, depôs seu ditador e iniciou algumas mudanças – esse exemplo de sucesso inflama os ânimos em países vizinhos.
Esse combinado transformou o Cairo esclarecido e rebelde num barriu de pólvora que explodiu gerando um efeito em cadeia pelas principais cidades do Egito. Nada mais faltava aquele povo, somente a vitoria. Daí mais de 300 mortos, mártires da luta, mais de 5000 feridos, e milhares de milhares de anônimos lutadores que gritavam e se expunham nas ruas gritando 'Fora Mubarak, Egito Livre!'. Isto sim, era a tempestade!
Até que dia 11 de fevereiro, depois de blefar algumas vezes e miúdo diante da grandeza da luta, do suor e lágimas dispensados pelo povo, o super ditador, amigo de americanos e israelenses (poderosíssimos aliados), foge primeiro pra depois mandar seu porta-voz (homem de confiança da CIA) comunicar a renúncia dos dois e encaminhar a responsabilidade de governar para os militares, representados pelo ministro da Defesa, Marechal Mohamed Hussein Tantawi. Era um início de noite e o povo vibrou em festa na Praça de Tharir.
Então, na manhã do dia seguinte, a rua ainda estava em movimento, só que agora dispersando aos poucos. As marcas da tempestade do povo nas ruas ia aos poucos se expondo agora sem multidões. Nada menos do que a calmaria natural, como um corpo humano cansado que as vezes parece parar para puxar ar para os pulmões.
Logo depois, dia 13, os militares dissolveram o parlamento e anunciaram que a transição duraria até seis meses. Alguns meios de comunicação divulgaram que a nova Constituição do país (anseio dos manifestantes) será apreciada por referendo em aproximadamente dois meses. Mas, no mesmo período, os militares colocaram suas foças para dispersar os manifestantes e não eliminaram o toque de recolher, somente redimensionaram.
Agora, enquanto o povo homenageia seus mártires, com as antenas ligadas, vigia desconfiado a nova governança. Não se sabe ainda se agora virá a bonança, que consiste em melhorar realmente as condições de vida naquele país tão original por meio de desenvolvimento com justiça social e democracia, ou se assistirá o país continuar na crise, pobreza e revolta. Neste último caso, não será a bonança!

0 comentários:

Contatos Imediatos...

Para falar com o professor Elton Arruda, além do espaço para comentários desse Blog, é possivel ligar para (086)9940-4212 ou (086)3221-5653.
No End. Eletronico: eltonarruda@hotmail.com
Vamos trocar ideias...