É sabido de todos que há mais de 100 dias os movimentos sociais vem reclamando o congelamento das passagens. O preço de R$ 1,90 já era considerado abusivo, imagine R$ 2,10? Tem família que vive com um salário mínimo e precisa agora comprometer quase 1/3 da renda só com ônibus.
Desde a primeira movimentação em maio deste ano, quando começamos a reclamar o congelamento das passagens, tivemos uma audiência pública na Câmara de Vereadores, uma audiência com Vossa Excelência, um seminário no Ministério Público, várias manifestações pacíficas, tratamos inúmeras vezes com membros da sua equipe, sem falar nas discussões via judiciário que chegaram a apontar que o preço de R$ 1,90 por si só já era um grande equivoco.
No último sábado fomos surpreendidos com um aumento acima da inflação ou do INPC, quando colocou a passagem em R$ 2,10. A decepção por parte da cidade foi grande e foi impossível silenciar o descontentamento da juventude naturalmente rebelde e irreverente. As ruas foram tomadas por inúmeros protestos, o transito foi parado e a cidade, já tão ineficaz do ponto de vista da mobilidade, praticamente parou. Em alguns momentos a polícia elevou o tom e a violência se fez presente. Mas a indignação não tinha sede de polícia, queria a revogação do aumento. Na quinta-feira, diante da intransigência de seus nomeados em não querer negociar, a mesma indignação explodiu fortemente nas ruas. Nossos estudantes, trabalhadores e gente do povo – sem colorações ideológicas ou lideres, fizeram-se ouvir das ruas. A fumaça que turvou o céu da cidade verde tinha a cor da decepção e da indignação das pessoas que acreditavam que o Exmo. Sr. Prefeito poderia ser mais flexível e coerente.
Agora, lembro o poeta Berthold Brecht, que dizia mais ou menos assim: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Acredito que o Exmo. não imaginava que as coisas tomariam essas proporções quando resolveu aumentar o preço da passagem ou, agora, quando fincou pé em não recuar. É hora de ser magnânimo, reconhecer o erro. Sei que não podemos concordar com atos de vandalismo e depredação, mas é hora de representar mais e melhor a grandeza e generosidade do povo teresinense, até porque esse também rechaça o aumento, e repensar o preço das passagens e a qualidade do transporte coletivo. A grandeza de um gestor reside também na coragem de melhorar a si próprio, de potencializar as novas gerações, ser inclusive capaz de lhe dar com o rio caudaloso sem oprimi-lo mas transformando sua força em energia para trabalhar e desenvolver a cidade.
Finalmente, seria bom rescrever o final desse episódio, você tem a caneta.
Professor Elton Arruda
Presidente da CTB

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